Jezabel: Glorificação da Violência à Intolerância Religiosa


Não tenho o costume de ver o canal Record, por motivos que não caberiam nesse texto. Muito menos as novelas, embora eu tenha sido fã de carteirinha da trilogia de fantástica/Sci-fi/Terror /YA/etc que foi "Caminhos no Coração". Sem ironia, foi um marco importante para gêneros de nicho aqui no Brasil. Todavia, quis o destino que hoje, durante o final do meu treino da academia, quando estava correndo na esteira, que a TV estivesse ligada na novela Jezabel do dito canal, o que é bem comum, afinal é nesse área que as senhorinhas se exercitam vendo novela. Mas sem ninguém lá dessa vez e eu sem vontade de mudar de canal (não assisto nada porque tenho que colocar os podcasts em dia), então deixei ligada.

E quase vomitei.

Serio, tive um ataque de ansiedade e minha pressão caiu. Não pelo choque das cenas, eu assisto Game of Thrones e sou fã de carteirinha do sanguinolento Tarantino, mas por não estar preparado para aquilo e também pela forma "glorificada" que a violência foi mostrada. Tive que parar de correr quando vi todo aquele mar de sangue desnecessário rolando. MULHERES sendo assassinadas, jovens tendo gargantas rasgadas, velhos sendo decapitados. Tudo sem pudor, sem uma direção audiovisual que mostrasse "tristeza" ou "repúdio" nas cenas. Não era como as mortes de inocentes numa batalha medieval, era mortes de inocentes sendo ovacionadas sem ironia alguma. Todas aquelas mortes, todo aquele genocídio foi filmado como algo divino. Algo cristão.

"Mas como assim, Ton?"

Basicamente, a cena, da novela bíblica Jezabel, mostra um desafio entre duas religiões em Israel. Uma que acreditava em Baal e a outra pré-cristã, para ver qual tinha o "Deus verdadeiro". É a parte de Elias em "Reis" na Bíblia e, de fato, é uma passagem pesada.

Na parte em questão, dois grupos de adoradores fazem sacrifícios e demonstrações de fé para provar sua fé ao rei. Os sacerdotes de Baal fazem o rito deles. Fosse culturalmente (não conheço essa religião), fosse porque a emissora queria realmente mostrar que o quão "horrível" eram os pagãos (aposto mais nisso), tudo é filmado como se eles fizessem algo profano, com caras de mau, trilha ameaçadora, toda uma direção artística para mostrar o quão "bárbaros e desumanos" são eles. Inclusive, colocaram "referências" a práticas de religiões de matriz africana, uma mensagem que de subliminar não tem nada. A velha tática de desumanizar o diferente, o "inimigo", pois assim muitos evangélicos enxergam outras religiões. Depois vem a parte dos pré-cristãos. Mostra o quão santificados são eles. E claro, o Deus verdadeiro se prova sendo o deles.

Até aí não tinha me espantado. Era lógico que uma emissora evangélica em uma novela bíblica fosse demonizar o outro lado. Não seria ou será a ultima vez que o fazem com outra religião. É só lembrar que a emissora foi condenada esse ano pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região há de transmitir quatro programas sobre religiões de matriz africana, por ter veiculado agressões a religiões de origem africana. 

Porém o horror que descrevi veio depois. Na novela, os pré-cristãos, ao serem reconhecidos como "aqueles que tem o Deus verdadeiro", assassinam todos os seguidores de Baal. Estou falando de toda uma tribo sendo morta. Centenas de mulheres, crianças e jovens, ninguém é poupado. De fato isso acontece na Bíblia e por ser uma parte forte e controversa, os diretores poderiam ter mostrado sem enfase, ou só "contando que houve o massacre" ou até mesmo mostrado o massacre como algo trágico, não como algo "certo a se fazer".

Só que a direção da novela, sem bom senso ou de propósito, glorificou esse genocídio. A trilha sonora se torna épica enquanto homens agarram uma mulher inocente, que nem devia ter uns 18 anos, e cortam seu pescoço. Homens segurando crianças e as apunhando como se as crianças fossem monstros e eles os heróis. Sim, mostram com "beleza" os homicídios.

Não é só extramente errado qualquer mídia glamorizar a violência, como a novela o fez em horário nobre, mas a novela em particular ainda foi mais fundo e colocou isso num contexto de "um povo escolhido por Deus" exterminando aqueles que tinham outra crença. Não é caso de um paladino que extermina necromantes num livro de fantasia. As cenas lembravam muito mais o atirador do recente massacre numa mesquita na Nova Zelândia, que chocou o mundo. Foi além do maniqueísmo, foi "a minha verdade é essa e vou matar qualquer um que não concorde". A diferença era que o atirador era um insano, mas isso aqui é toda a produção de novela.

Logo, se a novela passou uma mensagem clara de que a outra religião tem quer ser exterminada e isso é o certo a fazer, usando de uma violência gráfica mais forte que a da HBO, por exemplo, isso não é algo artístico como um Tarantino ou o próprio Game of Thrones. Isso dá medo e é antiético.

Mesmo eu sendo espírita de uma linha cristã, não só me senti ofendido e enojado, como preocupado. Até mesmo amigos evangélicos meus, que respeitam outras crenças, se sentiram incomodados. Vale lembrar também, que essa é a mesma emissora braço direito de um presidente belicista que diz que as minorias devem se curvar, que diz que o país deve seguir apenas uma religião, o que inflama tudo ainda mais.

E ainda que eu tenha ótimas amizades evangélicas, todos sabemos que a intolerância religiosa está em alta no país. Que há pessoas morrendo com isso. Daí, essa mesma emissora mostrando um massacre de toda uma religião diferente de maneira glorificada, sem um pingo de reflexão, com excesso de violência, apenas está colocando, propositalmente ou não, mais lenha na fogueira na nesse grande problema que enfrentamos no Brasil e no mundo.

Irônico que uma novela tão fiel a bíblia, que quer perpetuar ensinamentos "cristãos", na verdade, perpetua a corrupção de um de seus mandamentos bíblicos mais importantes:

"Não matarás"

Vem ai a segunda edição da StarCon, Os Mundos de Doug Jones!

A segunda temporada de Star Trek: Discovery recentemente estreou na Netflix, e se vocÊ ficou animado com a volta da sua série favorita do momento já tá na hora de saber que a Nova Frota - O maior fan clube de Jornada nas Estrelas, do Brasil vai realizar no dia  no dia 2 de fevereiro, a segunda edição da StarCon, dessa vez com o subtitulo de Os Mundos de Doug Jones, a volta do evento mais amado pelos Trekers aidna vai contar com presença de Doug Jones, o ator que interpreta o Comandante Saru em Discovery.


Em 2018 o ator René Auberjonois veio para o Brasil comemorar os 25 de Deep Space Nine uma da séries mais aclamadas pelos fãs do universo de Star Trek

Mas quem é a Nova Frota e como eles conseguem trazer atores internacionais para o Brasil? A resposta é simples, a Nova Frota é a reformulação da antiga Frota Estelar Brasil, grupo de fãs que realizou muitas convenções de Star Trek no Brasil entre os anos de 1989 e 2003, e foi responsável pelas visitas de grandes atores do universo Treker ao Brasil, como George Takei, Walter Koenig e até mesmo Leonard Nimoy.

O último lote dos ingressos ainda está disponível no site da Nova Frota, então corra e garanta o seu!

starcon.novafrotabr.com | StarCon – Os Mundos de Doug Jones
Data: 02/02/2019 | Horário: 9h às 20h | Local:Teatro Eva Wilma
Endereço: Rua Antônio de Lucena, 146 – Tatuapé – São Paulo/SP

Macaulay Culkin revive cenas icônicas de Esqueceram de Mim


Sem sombra de dúvidas Esqueceram de Mim, é um dos mais clássicos filmes de natal, pensando nisso e criar um novo comercial criativo para o Google Assistant, a Google convidou Macaulay Culkin para reviver seu mais icônico personagem Kevin McCallister!

O Google Assistant é o novo assistente pessoal da Google, um serviço de ajuda pessoal com um trabalho semelhante ao da Siri no iPhone.

Você fazia ideia que o primeiro filme de Esqueceram de Mim completou 28 anos de existência em 2018?

Crítica – Jovens Titãs: O Contrato de Judas

Sinopse: Para evitar a ação de um culto terrorista liderado pelo Irmão Sangue os Jovens Titãs, cuja equipe é composta por Asa Noturna, Estelar, Mutano, Ravena, Besouro Azul, Robin e Terra, precisam primeiro resolver seus problemas internos se querem ter alguma chance de vitória. Enquanto isso, o Exterminador (Miguel Ferrer) volta à vida para atrapalhar a vida dos heróis.


Temos aqui mais um filme animado original do DC Universe, selo da Warner para o lançamento de longas animados envolvendo as histórias da DC. A qualidade destes filmes normalmente é alta, com pouquíssimas exceções. É um maneira da Warner levar para o grande público histórias das HQs que ainda não foram, e talvez nem sejam, adaptadas para os cinemas no formato live action. O lançamento desses longas normalmente é direto para o home video, a sua campanha de marketing é modesta, quando não inexistente, mas os fãs da DC sabem que, por ano, pelo menos dois novos filmes desse universo serão lançados e a expectativa é sempre alta. Outra vantagem deste formato é o seu orçamento baixo (este Jovens Titãs: O Contrato de Judas custou em torno de US$ 3,5 milhões) o que garante um rápido retorno com as vendas dos DVDs. É uma fatia do mercado que a Marvel ainda não explora e, enquanto isso, a DC nada de braçada.


Baseado na HQ de mesmo nome, Jovens Titãs: O Contrato de Judas começa com uma divertida e bem desenhada sequência de ação que envolve a chegada de Estelar na Terra, refugiada de seu planeta natal Tamaran. Infelizmente esta sequência inicial não acrescenta muito à história que está sendo contada. O filme existiria sem ela, o que sempre é um mal sinal porque sequências desnecessárias comprometem a qualidade final da narrativa. Ao menos ela serve para mostrar que os Jovens Titãs não possuem uma formação fixa, já que vemos Abelha, Kid Flash e Arsenal em ação juntos com o Robin de Dick Grayson e Mutano, mas, depois do salto temporal da história, temos uma formação completamente diferente com Dick Grayson como Asa Noturna, Damian Wayne como Robin, Estelar, Mutano, Terra, Ravena e Besouro Azul. A sequência inicial também mostra o primeiro encontro entre Dick e Estelar, mas, convenhamos, não era necessário para entendermos, posteriormente, que eles são um casal.

A partir do salto temporal, o diretor de descendência chinesa e americana Sam Liu, responsável pelo bom Liga da Justiça vs Jovens Titãs (2016) e pelo regular Batman – A Piada Mortal (2016), consegue explorar melhor as possibilidades que o roteiro oferece. Ao criar um drama pessoal para a maioria dos integrantes da equipe, o roteiro consegue criar uma dinâmica entre os personagens rica e fluída, em que a existência da equipe passa pela solução dos problemas de cada um individualmente. Seja o passado de vítima de preconceito de Terra, ou a condição de refugiada de Estelar, passando pela sensível relação do Besouro Azul com sua família e chegando no desejo de Asa Noturna de constituir família, essas pequenas questões particulares fazem com que os personagens sejam mais explorados, evitando que o filme seja apenas um veículo para colocar os personagens em sequências de ação que são conectadas por uma história fraca e desinteressante.


A personagem que rouba a cena no filme é a Terra, que eu sinceramente não conhecia antes de assistir a este longa. É uma personagem tematicamente muito favorecida, com traumas no passado e com um emocional instável, representado incrivelmente bem através de seus poderes de manipular terra. A impressão quando o filme termina é que a personagem tem muito a oferecer em outras histórias e eu, particularmente, fiquei curioso para saber mais dela. A maneira como sua energia e força de vontade aparece na sua manipulação elemental é visualmente muito bonito e resulta em sequência marcantes durante o longa.

É divertido acompanhar no longa o que seria o “Contrato de Judas”, porque é algo que não fica claro até a metade da narrativa. E quando nos é apresentado, com um plot twist que funciona, confesso que fui surpreendido, o que aumentou minha imersão emocional na história. A inserção do Exterminador, um vilão que duela de igual para igual com os Jovens Titãs, faz com que a trama ganhe um ar de imprevisibilidade. O personagem é versátil e impõe respeito, resultando em ótimas sequências de ação, principalmente aquela envolvendo Robin e Asa Noturna.


Há alguns problemas na história que acabam comprometendo a experiência final. O culto terrorista parece já existir naquele universo antes da história que acontece neste filme, o que acaba gerando algumas perguntas que ficam sem respostas. Qual a história do Irmão Sangue? Por que aquelas pessoas o estão seguindo? Por que, em quase mil anos, ninguém nunca fez nada para acabar com o culto terrorista? Para piorar, todo o núcleo dos personagens deste culto desaparece no segundo ato, só aparecendo de novo no terceiro, criando um vazio que faz o espectador quase esquecer da sua existência. Também, em um um diálogo, Asa Noturna diz que ficou muitos anos fora dos Jovens Titãs e só voltou agora. Para onde ele foi durante esses anos? Por que voltou agora? Possivelmente todas estas perguntas, nas HQs, sejam automaticamente respondidas porque o leitor teve acesso às edições que antecederam este arco, mas o espectador, que não tem este conhecimento prévio, fica sem saber suas respostas. Ravena é deixada de lado boa parte do filme, possivelmente por ter tido bastante destaque no longa de 2016, mas a personagem faz falta para interagir mais vezes com os outros.

A qualidade técnica da animação é muito boa, fato este presente em todos os filmes animados originais do DC Universe. A animação é fluída, as cores são vibrantes, o design de produção é eficiente e a dublagem em português é perfeita. A Warner Brasil merece reconhecimento por sempre garantir que a dublagem de seus filmes aqui no nosso país seja realizada com a mais alta qualidade nos melhores estúdios. E, aquele toque a mais que todo o fã curte, sempre que possível os dubladores são mantidos em todos os longas. Nada mais decepcionante que ver um personagem dublado com uma voz em um filme e depois com outra voz no próximo. Isto quebra a sensação de unidade do universo apresentado e dificulta o engajamento emocional do espectador nos personagens.

Com uma narrativa ágil, agradável e enérgica, Jovens Titãs: O Contrato de Judas consegue apresentar uma história pouco conhecida pelo grande publico, consolida os personagens no universo de animações originais da DC e só não é perfeito porque o filme exige um conhecimento prévio daquele arco que está sendo contado, o que é inacessível para a maioria dos espectadores. Mas, mesmo assim, o longa é muito divertido e bem produzido.

INFORMAÇÕES
Título: Jovens Titãs: O Contrato de Judas (Teen Titans: The Judas Contract)
Direção: Sam Liu
Duração: 84 Minutos
Lançamento: Setembro de 2017
Elenco: Sean Maher, Kari Wahlgren, Brandon Soo Hoo, Jake T. Austin, Taissa Farmiga, Christina Ricci, Stuart Allan, Miguel Ferrer e Gregg Henry.

Recomendo - The Reflection

Como diria nosso Wolwerine: o mundo não é mais o mesmo. Na verdade, isso pode e deve ser encarado de maneira positiva, principalmente quando se aborda animes. O que estamos vendo é a globalização cultural tomando forma através de produções animadas que espelham tanto a cultura oriental quanto a ocidental.


De exemplos recentes temos Boku no Hero Academia, utilizando uma temática de super-heróis referentes às comics americanas sem perder a essência da narrativa dos quadrinhos japoneses (mangás).

Mas qual o limite deste choque cultural, principalmente dentro desta indústria do entretenimento nerd que tanto amamos? Chegou a hora de você conhecer The Reflection, um anime onde temos Stan Lee (isso mesmo, aquele Stan Lee) como co-criador e dirigido por Hiroshi Nagahama (Mushishi, Detroit Metal City). Foi produzido por uma parceria entre a Studio DEEN(Eat-man, Samurai X, Fate/Stay Night) e a POW! Entertainment, onde nosso Stan também é um dos fundadores, sendo lançado em julho de 2017 e ainda no ar na data que este Recomendo foi postado.

Sinopse: Três anos atrás, um evento que ficou conhecido como Reflection aconteceu ao redor do globo. Algumas pessoas atingidas por este fenômeno despertaram incríveis habilidades, sendo chamados de “refletidos”. Algumas pessoas decidiram usar seus poderes para o bem, mas já outras… A trama gira em torno de personagens que tentam descobrir o que está por trás do Reflection e como impedir o mundo mergulhar no caos.

Para começar: se você é uma pessoa acostumada a assistir animes, a primeira coisa que com certeza chamará sua atenção é a estética da animação. A produção evidentemente queria emular a estética utilizada em comics americanas, reforçando a ideia que a história se passa em território americano.


Toda as características que estão presentes nas séries animadas japonesas são deixadas de lado, com o intuito de que o telespectador tenha a sensação de estar virando uma página de um quadrinho de super-herói que acabou de comprar na banca. Pode parecer estranho no início, mas eu diria que faz parte do charme e da originalidade da obra.

O segundo aspecto que tem uma qualidade inegável é o roteiro. Claro, quando se trata de Stan Lee não podemos esperar algo leviano. A narrativa apresenta um ritmo e dinâmica que reflete todos os anos de experiencia que nosso deus dos quadrinhos tem nas costas. Apresenta momentos que lembram a Era de Prata, quando Stan trabalhava ao lado do outro deus, Jack Kirby. Em outras cenas, remete a uma narrativa mais fria e adulta, paralela aos quadrinhos mais modernos. The Reflection consegue ter sua própria identidade e ao mesmo tempo ser uma espécie de homenagem a tudo que as comics de super-herói nos presenteou ao longo das décadas.

Outro aspecto distinto e eficiente na obra são seus personagens. A história é dividia em duas perspectivas. Uma protagonizada por Ian Izette, com o alter ego de I-Guy. Suas motivações levadas por frustrações pessoais e busca pela fama eterna o torna um dos personagens mais densos e interessantes da obra, colocando em foco o significado de ser um herói. Afinal, um “herói” só carrega este título por conta do clamor da mídia ou busca fazer o que for necessário, mesmo que no anonimato? Aí que entra o outro lado da história, protagonizado pelo herói X-On e a jornalista, e meio que “sidekick”, Eleanor Evans.


X-On é um dos personagens mais interessantes e misteriosos da série. A atmosfera que o rodeia quando está em cena levanta muitos questionamentos sobre suas verdadeiras intenções. Chamá-lo de “herói” é até um pouco precipitado e essa dúvida se fortalece a cada episódio. Com certeza Stan Lee nos preparou uma surpresa que conecta este personagem a todas as circunstâncias apresentadas em The Reflection.

Eleanor tem a função de ser um contraponto em relação ao X-On. A dinâmica entre esses dois personagens é sempre uma iniciativa a partir de seu instinto de saber o que está ocorrendo. Seu conflito interno de querer usar seu poder para ajudar pessoas dá o toque carismático que te prende logo de cara. E também o mistério que envolve ela e uma possível conexão com o plano do grande vilão é a cereja do bolo que a torna interessante.

The Reflection é sem sombra de dúvidas um ponto fora da curva dentro da indústria de animes, tanto estética quanto narrativamente. Eu espero que ele seja um “banho de água fria” no mercado e que outros estúdios possam ficar mais atentos não só ao que está rolando no Japão, como também fora dele.

INFORMAÇÕES
Título: The Reflection (The Reflection)
Temporada: Primeira
Episódios: 12
Duração: 22 Minutos
Gênero: Ação/Ficção Científica

Anime Friends 2017

A equipe do Invader, representada pelos membros convidados Clara Santos e Vitor Navarausckas, esteve no Anime Friends 2017 e traz aqui suas impressões sobre o evento.

O Anime Friends, organizado pela Yamato Cultural, chegou a sua 15ª edição! O evento ocorreu entre os dias 7 e 9 de julho no Transamerica Expo Center em São Paulo, e contaremos um pouco sobre o evento e nossas experiências durante dois dias nele.

Quem é das antigas lembra que o Anime Friends começou lá em 2003 em um colégio particular de São Paulo e, de lá para cá, passou por muitos locais até finalmente chegar ao Transamerica Expo Center. Já havíamos ido à outras edições do evento, então fomos psicologicamente preparados para o famoso “encoxa friends”, yakisoba oleoso e desorganização. No entanto, fomos surpreendidos positivamente por um Anime Friends mais organizado comparado aos últimos (saudades Mart Center). Houve alguns contratempos, claro, mas desta vez o evento mostrou potencial.


No quesito infraestrutura, ponto positivo! O evento foi espalhado em 4 halls do centro de convenções. Havia ventilação (a galera agradece), um piso carpetado confortável (os pés agradecem) e também uma praça de alimentação decente (depois de muitos Anime Friends comendo no chão e em busca de uma sombra) com diferentes opções de lanches que variavam de R$ 7,00 a R$ 35,00 para o pessoal poder recuperar a XP.

Entretanto temos que ressaltar a falta de opções para doces – o melhor jeito de repor uma glicose necessária para um dia inteiro de evento – a não ser que você prefira se sustentar de Mupy que, como não poderia faltar, tinha um espaço próprio. E, claro, as filas quilométricas para os banheiros que, embora fossem em um número razoável, não comportaram o volume de usuários.

A distribuição dos stands também foi bola cheia no evento, pois contavam com uma área bem delimitada e ampla para atuarem com alguns stands mais deslocados. Mas nem tudo são flores e, neste espaço, tivemos a nossa famigerada e marca registrada (ainda) do evento: sessão “encoxa friends”, principalmente no domingo quando ocorre o maior número de visitantes. Mas ainda assim bem mais tranquilo que nos anos anteriores.

A área de games lotou no sábado e domingo e o pessoal pôde jogar Crash Bandicoot no stand da Sony. Para os saudosistas havia também um Atari para poder matar a saudade. No stand da Bandai Namco havia a demonstração do novo game Dragon Ball Fighter Z para jogar no Xbox One, além de jogos da série Gundam. Os demais stands vendiam diferentes tipos de Figure Arts, mangás, chaveiros, colares, camisetas e itens nerds. Impossível não passar por algum e não querer algo. Para os fãs de Harry Potter havia lojas vendendo varinhas e itens para cosplay e, falando em cosplay, o pessoal como sempre se diverte e vai como manda o figurino!

Os fãs de tokusatsu também não ficaram de fora e havia um stand com armaduras de diferentes tokusatsus em exposição, criados pelas equipes Lendários Cosmaker BR e Tokusatsu.com.br, além da presença de Takumi Tsutsui, o eterno Jiraya. Durante sua entrevista no sábado, Tsutsui-san demonstrou grande simpatia com o público e revelou ser um ninja de verdade! *.* As palestras de dublagem foram um show à parte, contando com grandes nomes da dublagem brasileira como Marco Ribeiro, Guilherme Briggs e muitos outros (assunto para outro tópico xD).

Neste ano, o Anime Friends trouxe as bandas japonesas Asian Kung-Fu Generation e TM Revolution (se você já assistiu Naruto e Samurai X com certeza já ouviu Haruka Kanata e Heart of Sword :P). As fãs de Kpop também piraram com a banda idol BLANC7 no sábado e nossos ouvidos que o digam. E falando em Kpop e fãs, isso nos leva a citar outro ponto negativo do evento: a proximidade da área Meet & Greet com o palco (batizado de auditório) utilizado para entrevistas de outros artistas. Não estou criticando a gritaria das fãs, porque afinal quem nunca? Mas a organização deveria ter colocado o Meet & Greet mais afastado do palco, já que este nem foi utilizado pela banda coreana. Além disso, enquanto ocorria a sessão de autógrafos, simultaneamente no palco ao lado ocorria a entrevista com Takumi Tsutsui (Jiraiya) e obviamente ninguém ouvia a entrevista direito e, assim, seguiu-se com as demais palestras até o fim do Meet & Greet.

Temos que dar o ponto positivo tanto à Tsutsui quanto aos palestrantes seguintes que souberam contornar este problema e descontraírem um pouco quem assistia ao imitarem as fãs (Tsutsui) ou ao trazerem como se fossem para si os gritos de adoração (equipe JBC), porém como já mencionado o barulho da proximidade das áreas somado a um visível problema no som de alguns dos microfones diminuíram o poder dessa experiência.

Os palcos Animekê e Fantasy também estavam muito próximos, ocorrendo ruídos durante as apresentações em ambos os palcos. No palco Fantasy para não atrapalhar as apresentações de cosplay (final brasileira do WCS) e teatro (a batalha das doze casas realizada pelo Grupo Comix), o som foi colocado no volume máximo, estourando alguns tímpanos de quem assistia, proporcionando dores de cabeça e aumentando o cansaço já acumulado do dia >_<

Resumo da ópera: acabamos vendo uma melhora gritante do evento depois de muitos anos de frustração e arrependimento por ter pago por ingressos que só aumentavam o valor, mas a qualidade diminuía. No novo espaço, o evento possui muita capacidade de melhorar ainda mais, desde que estejam com vontade disso. Fica uma sensação de um bom evento na boca, uma sensação de que o preço do ingresso, somado aos custos com alimentação e estacionamento (bem salgado por sinal) ainda valem um pouco à pena desde que você aproveite 80% pelo menos das atrações propostas. O maior problema é que, como sabemos, todos os valores serão maiores no ano que vêm, cabe saber se a Yamato vai fazer valer à pena novamente.

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Do pior ao melhor filme do MCU

O Universo Cinematográfico Marvel (MCU) já conta com 15 filmes e esse número chegará a 22 até 2019. Pouca gente imaginaria quando o primeiro Homem de Ferro estreou, em 2008, que todo esse universo seria construído, mas aqui estamos nós. Nesta lista eu coloquei os longas do pior para o melhor. E esta mesma lista será atualizada conforme o MCU for se expandindo. Concorda com essa lista? Não? Escreva nos comentários e faça sua própria lista para podermos debater.


16º Homem de Ferro 3 (2013) - Este é, de fato, o único filme abaixo da média do MCU. Na sua essência as únicas coisas que se salvam são suas sequências de ação, que são ótimas e bem executadas. A história é ruim, principalmente por colocar Tony Stark numa jornada de autoconhecimento ao lado de um garoto insuportável. O conceito de Mandarin ser um produto da propaganda e dos tempos modernos não me incomoda, mas o vilão de Guy Pearce é tão genérico e o ator o interpreta com tanta canastrice que tudo fica pior. Para finalizar o encerramento do longa é péssimo. Por que Tony Stark destrói todo os seus trajes? E por que o personagem não retirou os estilhaços que ameaçavam chegar ao seu coração logo no primeiro filme se o procedimento cirúrgico aparentemente sempre foi possível? Perguntas sem respostas para um filme dispensável.


15º O Incrível Hulk (2008) - Possivelmente este é o filme do MCU que as pessoas menos sabem que pertence ao MCU, talvez pelo fato de a sua estreia ter ocorrido sem grande campanha de marketing e o filme ter passado abaixo do radar da maioria dos espectadores. Edward Norton entrega um Bruce Banner com menos drama do que aquele do longa de 2003, mas ainda procurando um lugar na sociedade e, se possível, uma cura para seu estado. Liv Tyler consegue cumprir com eficiência o papel de interesse amoroso do protagonista e o vilão interpretado por Tim Roth, embora não seja original, garante boas sequências de luta contra Hulk. Há ainda uma enérgica sequência de ação que se passa nas favelas do Rio de Janeiro. Este O Incrível Hulk é funcional em todas os aspectos e não decepciona, mas não deve estar guardado no coração de nenhum fã do MCU. 


14º Thor (2011) - O principal problema deste Thor é o seu núcleo na Terra e a brusca mudança de personalidade pela qual o deus do trovão passa em poucos dias de banimento no nosso planeta. É um filme fácil de ser analisado. Todas as sequências que se passam em Asgard e Jotunheim são interessantes e, até aquele momento, novas, já que é a primeira vez que o espectador está sendo apresentado a aquele universo. Os efeitos especiais são competentes, a direção de arte inspirada e a fotografia agradável. Quando a narrativa se muda para a Terra tudo ganha um ar de comédia e a história se desenvolve com um fiapo de argumento. No geral o elenco tem química e garante bons momentos, principalmente Tom Hiddleston e o até então novato Chris Hemsworth. Thor teve sua importância na apresentação do universo mítico da Marvel, mas uma lapidada no roteiro teria garantido um longa mais homogêneo. 


13º Thor: O Mundo Sombrio (2013) - Há um visível salto de qualidade entre Thor e esta sua continuação. Há acertos visíveis como dar mais espaço para o que funcionou muito bem no filme original e deixar o núcleo da Terra para ter real importância apenas na segunda metade da narrativa. Loki ganha ainda mais espaço, Asgard é melhor explorada, as sequências de ação são mais originais e o elenco praticamente não tem novidades. Aqui o problema é o vilão extremamente genérico com um plano extremamente batido. Malekith tem meia dúzia de falas, Christopher Eccleston praticamente inexiste por baixo da maquiagem do vilão e a última coisa que o espectador se lembra ao sair da sala de cinema é que o filme teve um antagonista. Com certeza o pior vilão do MCU em um filme que merecia mais, já que o resto é bem executado.


12º Doutor Estranho (2016) - O melhor elenco de um filme solo de super-herói do MCU está neste Doutor Estranho. Somando-se a isto a história do neurocirurgião que precisa recorrer às artes místicas para encontrar sentido na sua vida ainda conta com uma trama simples, porém objetiva, efeitos especiais de primeira qualidade e uma direção de arte eficiente. Há alguns problemas durante a narrativa, como seu humor por vezes mal inserido e a subutilização da personagem de Rachel McAdams, mas Benedict Cumberbatch é tão carismático e competente que tudo parece funcionar quando estamos assistindo ao longa. O vilão interpretado por Mads Mikkelsen fica no limite entre o genérico e o funcional, mas o resultado final é satisfatório. Acima de tudo Doutor Estranho tem a função de apresentar um novo mundo e um novo super-herói ao grande público e nisso o filme é irretocável.


11º Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017) - Este era um filme carregado de expectativa, criada, principalmente, pelo sucesso estrondoso do primeiro longa. Mas o resultado final é consideravelmente inferior ao original, embora esta continuação não seja ruim, pelo contrário, é muito boa. Há dois problemas fundamentais que comprometem a narrativa. O primeiro é a divisão da equipe em dois grupos. Os Guardiões da Galáxia são como a turma do Chaves onde a interação entre seus integrantes é o que faz o todo funcionar. Separados este potencial é diminuído e fica aquém do primeiro longa. O segundo problema é a narrativa em si. O segundo ato tem um período em que nada acontece, dando a impressão que o filme não saiu do lugar. No restante o filme funciona bem. Ego é um vilão original com motivações genéricas, porém seu plano é executado com originalidade. Mantis é uma adição benéfica ao grupo e sua dinâmica com Drax é sensacional. Yondu apresenta o arco mais inesperado do filme. E, tecnicamente, o filme é perfeito, com uma direção de arte e uma fotografia belíssimas. A trilha sonora é eficaz, mas não tão memorável quanto a do filme de 2014. Em essência, Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme muito bom, mas que tinha potencial para algo muito melhor.


10º Homem-Formiga (2015) - Talvez o filme mais redondo e eficiente no que se propõe do MCU. Basicamente um filme de assalto com super-herói. O elenco surpreende por trazer o comediante Paul Rudd como protagonista e o veterano Michael Douglas como mentor. Uma combinação inusitada, mas que funciona com excelência. Michael Peña rouba cada cena em que aparece e Evangeline Lilly mostra potencial para muito mais no futuro. O conceito e a utilização do traje de Homem-Formiga garantem ótimos momentos e o treinamento de Scott Lang mostra todo o potencial do personagem. O vilão é mais um genérico com motivações genéricas, mas ao menos tem espaço na trama para ser mais do que apenas um figurante na história que está sendo contada. É um filme eficiente, objetivo e bem dirigido que consegue agradar a todos.


9º Homem de Ferro (2008) - O filme que começou tudo foi importante por dar todas diretrizes do que seria o MCU, desde o tom da história, passando pelos filmes integrados, cenas pós-créditos e chegando no desenvolvimento dos personagens que é mais importante que a ação em si. Robert Downey Jr. foi a escolha mais fisicamente acertada para viver Tony Stark, mas o que o ator conseguiu fazer com o personagem foi algo além das expectativas mais otimistas. O elenco de apoio também é gabaritado e confere credibilidade à história que está sendo contada. A narrativa em si é convencional, assim como suas sequências de ação, mas tudo funciona de maneira tão eficiente que o resultado final é um longa redondo e que deixa uma ótima sensação no espectador. É um filme que visto nos dias de hoje parece convencional demais, mas sua importância para a Marvel Studios é algo imensurável, o que só eleva o nível do feito que Robert Downey Jr. e Jon Favreau conseguiram realizar.


8º Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) - Finalmente temos um Peter Parker que de fato é um colegial, com idade de colegial, com problemas de colegial e uma rotina de colegial. Tom Holland possivelmente será a encarnação definitiva do Amigão da Vizinhança, embora os outros cinco longas que não pertencem ao MCU tenham suas qualidades e sua importância na consolidação do super-herói no imaginário coletivo. Tudo funciona neste De Volta ao Lar, desde o vilão com objetivos mundanos (enriquecer), passando pela dinâmica entre Peter e seus amigos do colégio e culminando nas eletrizantes sequências de ação. É bem verdade que fizeram de tudo para estragar a experiência do espectador ao revelarem muito da trama nos trailers, mas ainda havia surpresas guardadas. O Homem-Aranha de Holland é jovial, enérgico, ansioso, espirituoso e com um senso de justiça e uma bússola moral de um super-herói puro e com as melhores intenções. A química entre o elenco jovem funciona extremamente bem e o mesmo pode ser dito entre Holland e Robert Downey Jr. que, felizmente, tem suas aparições e sua importância na trama limitadas. Um filme divertido, que quebra alguns clichês dos filmes de high schools, que enaltece a importância de um super-herói no dia a dia das pessoas e que humaniza ainda mais um dos personagens mais humanos e falhos da Marvel. 


7º Capitão América: O Primeiro Vingador (2011) - Não eram poucas as pessoas que não faziam ideia da existência ou da história do Capitão América. O que este filme consegue é estabelecer o líder dos Vingadores de maneira tão natural e tão bem realizada que parece que o personagem sempre fez parte do consciente coletivo. Há inúmeros acertos no longa, mas talvez o seu maior tenha sido contar uma história situada na Segunda Guerra Mundial, uma ambientação sempre favorável para este tipo de história. Os efeitos especiais que fazem Chris Evans ficar pequeno e franzino são irretocáveis, assim como a maquiagem do Caveira Vermelha. O elenco de apoio é de uma qualidade altíssima, com nomes como Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Hugo Weaving e Hayley Atwell. As sequências de ação são inventivas, dinâmicas e bem coreografadas e a trilha sonora consegue transmitir bem a sensação de aventura. Acima de tudo Chris Evans convence durante todo o filme, sendo a perfeita personificação do soldado resoluto e patriota, que segue ordens, mas tem uma agenda própria que segue seus princípios e valores.


6º Homem de Ferro 2 (2010) - O filme mais subestimado do MCU tem mais méritos que defeitos, mas mesmo assim boa parte da crítica parece enxergar apenas os seus defeitos. Robert Downey Jr. está ainda mais confortável no papel de protagonista e o personagem é ainda melhor desenvolvido nesta continuação, principalmente por algumas nuances suas serem apresentadas como o alcoolismo. As sequências de ação estão mais caprichadas em relação ao original e, finalmente, o Máquina de Combate é inserido no universo. Há a icônica sequência da armadura na maleta inserida numa sequência maior também eletrizante. Mickey Rourke faz o possível com um vilão imponente fisicamente, mas sem muita inspiração. Ao menos suas motivações são mais mundanas: vingança. A viagem de autoconhecimento e aceitação na qual Tony Stark mergulha humaniza o personagem e culmina numa das sequências mais emblemáticas do MCU: aquela na qual Tony assiste a um vídeo que seu pai gravou para ele muitos anos atrás. A troca de Terence Howard por Don Cheadle não passa despercebida pelo espectador, mas a troca é positiva já que Cheadle é mais carismático e parece se entregar mais ao papel. É um filme com três atos muito bem equilibrados, mantendo o nível sempre no alto e entregando tudo o que o espectador espera.


5º Vingadores – Era de Ultron (2015) - Vingadores – Era de Ultron consegue a difícil missão de dar um espaço quase igual em tempo e importância para seus dez personagens, ao mesmo tempo em que apresenta uma trama elaborada que passa por países diferentes junto com sequências de ação no mínimo sensacionais. Ultron consegue se diferenciar da maioria dos vilões do MCU ao ter uma personalidade bem desenvolvida, motivações originais e planos, no mínimo, inusitados. Mercúrio e Feiticeira Escarlate são apresentados de maneira satisfatória, assim como Visão que é criado primorosamente pela equipe de maquiagem e figurino do longa. Finalmente percebe-se que há algo por trás da maioria dos acontecimentos do MCU e o surgimento de quatro Joias do Infinito num curto intervalo de tempo desperta o interesse de Thor. Há algumas soluções fáceis para alguns problemas que surgem na narrativa que incomodam, mas não comprometem. Vingadores – Era de Ultron é puro entretenimento que pode ser resumido por uma única sequência: Hulkbuster contra Hulk.


4º Guardiões da Galáxia (2014) - O filme que estreou com menos expectativa do MCU também é um dos melhores. É incrível como um grupo de bandidos deslocados, quando juntos, consegue entregar um filme tão divertido e tão imprevisível quanto este. A narrativa é dinâmica, sempre apresentando novos ambientes e personagens. A trilha sonora é sensacional e é um personagem à parte no longa. Ronan é um vilão um pouco mais original que a maioria e é interessante ver como o personagem evolui com o decorrer da história. Os efeitos especiais criam Groot e Rocket com perfeição e em nenhum momento o espectador duvida que os dois são reais. A maquiagem e figurino fornecem uma pluralidade de seres extraterrestres que enriquece aquele universo. A história gira em torno de uma Joia do Infinito, mas na verdade o grande atrativo é a interação entre os cinco protagonistas que parecem sempre à beira de um colapso. É o filme mais espirituoso do MCU e com certeza o mais divertido, abrindo novas possibilidades que seriam ainda mais exploradas.


3º Os Vingadores (2012) - O maior sonho de qualquer fã do MCU demorou quatro anos para acontecer, mas conseguiu conquistar todo o espectador que o assistiu, sendo fã prévio ou não. Tudo funciona neste filme. O vilão não poderia ser melhor. Loki até os dias de hoje ainda é o melhor vilão do MCU, embora hoje em dia o personagem seja mais um anti-herói. A inserção de cada vingador ao grupo acontece de maneira natural e orgânica. mantendo a tradição de primeiro os super-heróis entrarem em conflito entre si e depois se unirem contra um inimigo comum. O fã vai a loucura quando o aeroporta-aviões da S.H.I.E.L.D. decola e a sequência de ação que se passa na nave é enérgica e agradável de assistir, colocando pela primeira vez os protagonistas em ação juntos. Gavião Arqueiro é relegado a segundo plano, algo que só seria corrigido em Vingadores – Era de Ultron (2015). A sequência de ação final é muito bem executada e, até aquele momento, parecia algo difícil de ser batida. E a grande surpresa do filme é o Hulk de Mark Ruffalo, o personagem menos visado do grupo, mas que rouba a cena cada vez que aparece.


2º Capitão América 2 – O Soldado Invernal (2014) - A grande adição ao MCU no decorrer dos anos se deu atrás das câmeras: os irmãos de diretores Anthony e Joe Russo. O que a dupla consegue fazer neste segundo longa do Capitão América é colocar um senso de urgência numa trama de espionagem recheada de ótimas e originais sequências de ação. É verdade que ter novamente a Hydra como vilã é algo repetitivo, mas a abrangência da organização e sua influência na atualidade é algo inesperado. Há ainda um ator consagrado, Robert Redford, como a mente do mal por trás de tudo e um carismático Anthony Mackie como o consagrado parceiro do Capitão América, Falcão. Mas é Sebastian Stan quem consegue roubar cada segundo de tela com seu perturbado, imprevisível e ameaçador Soldado Invernal. O longa possui um ritmo frenético, uma fluidez invejável e uma relevância temática totalmente contemporânea. Para finalizar, a química entre Chris Evans e Scarlett Johansson funciona e convence, fato importante, já que boa parte da narrativa é focada apenas na dupla. 


1º Capitão América – Guerra Civil (2016) - Difícil achar dentro dos filmes de super-heróis um longa mais redondo, fluído e cativante do que este terceiro filme do Capitão América. Os irmãos Russo conseguem entregar uma trama de alcance mundial envolvendo praticamente todos os personagens mostrados até agora e, pasmem, dando relativo destaque a todos eles. A cereja do bolo é a apresentação do Homem-Aranha do MCU, numa das aparições mais diretas e objetivas da história do cinema. A sequência do aeroporto alemão possivelmente é a maior e a mais bem elaborada e executada dos filmes de super-heróis e, pasmem novamente, não está no último ato do longa. E talvez o maior acerto do longa: seu terceiro ato intimista em que apenas o mais básico dos instintos está em jogo: o desejo de vingança de Tony Stark contra Steve Rogers. Capitão América – Guerra Civil é um primor de filme que ultrapassa o mundo dos super-heróis. É um ótimo filme, independente do subgênero em que está inserido.

Crítica - Meu Malvado Favorito 3

Quando chegou aos cinemas em 2010, Meu Malvado Favorito foi uma grata surpresa ao público e crítica. A improvável história de um vilão que encontrou a redenção através do amor de três fofas filhas adotivas chamou atenção por sua trama bem elaborada, simples mas profunda e uma verdadeira montanha-russa emocional, que alterna entre momentos hilários, fofinhos e até mesmo dramáticos. O sucesso do filme rendeu um spin-off , Minions, que mesmo sendo duramente mal falado pela crítica, ultrapassou a barreira de 1 bilhão de dólares em bilheteria mundialmente.


Depois de uma sequência com 970 milhões de dólares arrecadados, agora, Meu Malvado Favorito 3 vem com peso da cobrança do sucesso das produções anteriores, tanto nas bilheterias quanto na trama, já que muitos acreditam que uma hora a criatividade chegaria ao fim. Afinal de contas, nós já vimos Gru como um vilão solo, Gru agindo como pai, Gru encontrando uma namorada… o que mais faltava para ser explorado nesse narigudo?

Bem, nessa nova trama, Gru encontrando seu irmão gêmeo perdido parece uma solução fácil e pouco inovadora para continuar lucrando em cima do sucesso da franquia, algo bem clichê de continuação de filme dos anos 80. No entanto, o argumento raso é eficiente no decorrer da animação pelo jeito que é explorado. Por falar nisso, os aspectos técnicos da animação estão impecáveis.
O desenho já era visualmente agradável em 2010, saindo do estilo “Pixar/Disney”, mas suas continuações vêm aprimorando o que já era bom, exaltando as características dos personagens e deixando-os cada vez mais humanizados.


A duração do filme também contribui para o seu êxito. É notável como todas as produções da franquia conseguem manter a duração dos filmes entre 90 e 100 minutos. Logo, o filme que não tem muito fôlego, tanto pelo gênero, quanto pelo argumento, acaba não criando uma barriga por ser dinâmico. Porque, caro invasor, convenhamos que por mais que você idolatre esse universo, seus filmes não possuem uma temática que exige um desenvolvimento lento e que explore todas as nuances do assunto. É uma aventura infantil e só, mas isso não é ruim. Prova de seu dinamismo é que Meu Malvado Favorito 3 começa em uma divertida e frenética cena de ação, ditando o ritmo que acompanhará todo o resto.

Na história, Gru e Lucy já estão estabelecidos como um casal de elite da Liga Anti-Vilões e são enviados em uma missão para capturar Balthazar Bratt, que planeja roubar o maior diamante do mundo. Além da ação que se faz bastante presente ao longo da produção, a comédia também foi colocada no ponto certo. Os Minions e as garotas estão lá como o apelo fofinho e cômico para as crianças, mas o filme também está recheado de piadas e referências para o público adulto. Assim, os pais também encontrarão uma diversão que converse com eles, enquanto acompanham os pequenos nos cinemas. Referências estas que são um dos diversos pontos altos do filme. O filme brinca com outras animações comoProcurando Nemo, além de fazer referência a vários elementos da cultura pop como Star Wars (Han Solo na carbonita) e Elvis Presley. Por falar no Rei do Rock, a música também é um ponto chamativo. Destaque para as canções de bandas como A-ha e Dire Straits que embalam as cenas de ação do vilão.


O filme possui fortes inspirações nos anos 80. Assim, tanto o visual do vilão – uma clara referência a Prince – como seus passos de dança inspirados em Michael Jackson e os brinquedos apresentados em sua base “secreta” são uma verdadeira caça ao tesouro para os mais velhos. Realmente os filmes andam surfando na onda de músicas e referências nostálgicas cada vez mais. E falando no vilão, Balthazar Bratt consegue cumprir sua função de forma surpreendente. No passado, Balthazar era o protagonista de um programa de TV de sucesso em que interpretava o malvado Bratt. Mas o tempo passou, o garoto cresceu e deixou de ser adorável. Com isso, a audiência do programa caiu e Balthazar perdeu seu emprego. Assim, Bratt passou a confundir sua personalidade com a do personagem e acabou se transformando em um vilão de verdade. Com gírias e trejeitos diretamente do túnel do tempo, o vilão é bastante carismático, mas, apontando algumas falhas do filme, em alguns momentos suas motivações e seus atos parecem incoerentes com seu grande objetivo final. Antes que você reclame, claro que um filme infantil não precisa justificar as ações megalomaníacas de um vilão que usa um terno roxo com ombreiras e ostenta um bigodão e mullets. Mas parece que a solução final foi extremamente simples depois de toda a construção do filme.

As garotas marcam presença em algumas tramas secundárias muito interessantes, mas uma das melhores histórias paralelas é de Lucy. Apesar de ser uma super agente altamente treinada, ela está vivendo a experiência de ser mãe pela primeira vez, algo que a deixa extremamente desconfortável. Nisso a duração do filme pode ter sido um empecilho. Nós ficamos com aquela vontade de ver mais momentos de Margo e Edith. Por mais que as garotinhas já tenham tido um filme inteiro para desenvolver suas personalidades, é natural que o público se interesse em ver mais delas, afinal de conta elas também dividem o protagonismo com Gru. Também seria interessante ver o desenvolvimento da relação entre as garotas e Lucy, já que temos a sensação de que a trama foi um pouco acelerada para caber dentro da história.

E é claro, não posso esquecer de falar dos Minions! Confesso que um dos meus receios fosse que os personagens acabassem roubando mais atenção do que deveriam. Os Minions foram divertidos no primeiro Meu Malvado Favorito, mas quando o estúdio percebeu que o público gostou dos monstrinhos passou a forçá-los em momentos onde nem mesmo eram necessários. Neste terceiro filme, o papel deles é bastante reduzido, chegando a ser descartável, mas se faz presente o suficiente para arrancar risadas das crianças. Em uma trama secundária que tinha até mesmo mais potencial para se explorada, mas que também foi solucionada de maneira preguiçosa, os Minions se cansam da vida tranquila de Gru e decidem iniciar um verdadeiro motim.


Sobre os irmãos, digo a verdade quando afirmo que eu não esperava nada dessa trama. Os trailers não me convenceram e eu realmente fui ao cinema esperando uma trama bobinha e enfadonha que simplesmente entretivesse as crianças. Mas o relacionamento entre Gru e Dru é extremamente divertido. Eles se complementam ao melhor estilo Yin-Yang ou até mesmo em uma dinâmica Spy vs Spy, produção que é referenciada durante os créditos finais. Gru deixou seu passado como vilão para trás, enquanto Dru quer se tonar um perigoso malfeitor. Pode parecer a mesma história do filme anterior se repetindo, mas o modo como a ideia é desenvolvida se dá de maneira muito mais interessante e sua conclusão também é divertidíssima.

A dublagem, principalmente de Leandro Hassum, também merece destaque. Toda a equipe mandou muito bem, inclusive Evandro Mesquita na voz do vilão Balthazar Bratt, mas é notável a evolução de Hassum no papel, deixando o resultado final ainda mais interessante.

Por fim, Meu Malvado Favorito 3 consegue fazer jus à franquia. Na verdade, ainda o considero melhor que o segundo filme e, é claro, muito superior ao filme dos Minions (sério gente, eles são fofos, mas que filminho desnecessário). Por mais que a saga não tenha uma história antiga nos cinemas, o filme consegue resgatar o espírito da primeira animação com maestria e manda para longe a maldição do terceiro filme. É um filme divertido, leve e que nos faz sair da sala do cinema com um sorriso no rosto. Um filme que vale à pena seu tempo, ingresso e pipoca, ainda que você seja velho e barbado.

INFORMAÇÕES
Título: Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3)
Direção: Pierre Coffin e Kyle Balda
Duração: 90 Minutos
Lançamento: Junho de 2017
Elenco: Steve Carell, Kristen Wiig, Trey Parker, Miranda Cosgrove, Dana Gaier e Nev Scharrel.

Recomendo App - Facebook Messenger Lite

Hoje damos início a uma série semanal aqui no Invader: “Recomendo App”, que nada mais é do que um pequeno review de apps para smartphones, feitos por mim, Vinny Alves. Então, chega de enrolação e vamos falar do app! No final do ano de 2016 o Facebook anunciou o Messenger Lite e, depois de seis meses apenas, podemos usufruir dele.

O Messenger Lite tinha sido lançado originalmente em outubro do ano passado em países como Quênia, Tunísia, Malásia, Sri Lanka e Venezuela, e agora está sendo levado para outros países e, finalmente, no dia 29/05/17 o aplicativo foi liberado no Brasil. O app traz as funcionalidades principais do Facebook Messenger, com diversas vantagens, como funcionalidade nas redes instáveis ou 2G pois utiliza menos dados, pesar somente 10 Mb, aproximadamente, e ser muito rápido ao que se propõe.

Esse não é simplesmente uma versão antiga do Messenger, embora a aparência lembre. Ele tem várias das funções populares hoje em dia e, mesmo sendo uma versão Lite, além de enviar mensagens de texto, você também pode compartilhar fotos e links, assim como compartilhamento de emojis e stickers, tudo isso em celulares mais simples, tais como Galaxy Y.

Vale lembrar que o Messenger Lite também promete maior economia ao usar métodos de compressão de dados para imagens e vídeos, de forma que eles ocupem menos espaço no dispositivo e consumam pouca banda.


De fato, é um app para enviar e receber mensagens, sem firulas (Estamos falando de você Stories).
E você, o que acha dos aplicativos Lite do Facebook? Comente aqui embaixo sua opinião!

Crítica – Mulher Maravilha

Criada por Charles Moulton e tendo sua primeira aparição nos quadrinhos em 1941, Diana Prince, a Mulher-Maravilha , é um ícone de super-heroína feminina e, a posteriori, se tornou um ícone feminista na nona arte. Utilizando-se de signos como os braceletes, representando a proteção, o laço, representando a verdade, as cores americanas, representando a liberdade, e ela própria, por ser mulher, representando amor, mas também superação, a personagem teve seu forte marco na cultura pop recompensado com estrelato na adaptação para a série de TV de 1970 através da atriz Lynda Carter.


Hoje, graças à onda de filme de super-heróis e lutas sociais, finalmente temos o primeiro filme da Mulher-Maravilha no cinema, sendo também o primeiro longa com super-heroína como protagonista. Isso é um grande ganho à representatividade feminina, pois esse excelente filme apresenta a ideal representação de uma heroína, e também um ganho sem tamanho para o DCEU (Universo Expandido da DC), sendo, sem sombra de dúvida, o seu melhor filme, principalmente por ser uma história concisa, simples, que sabe o quer desde de início e, graças a Patty Jenkins, bem desenvolvida. E muitos outros temas, além do feminismo, são bem explorados pelos contrastes de costume da época e da personagem inocente. Há discussões a respeito do próprio ser humano, se somos realmente maus ou bons, sobre as consequências da guerra e principalmente sobre o que é ser um herói e como tal ser tem seu poder não por sua origem, mas por amar a humanidade. Era algo que a DCEU devia ter feito com o Superman, porém na sua ausência, Diana consegue nos mostrar que um herói faz o bem pelo próprio bem, uma volta ao herói clássico, algo que emerge das águas sombrias que os filmes da DC navegavam ao apresentar “heróis” dúbios e até mesmo ensinando a Marvel que nem sempre um herói só deve agir por vingança, resgate, interesse pessoal, redenção, sobrevivência ou tentativas de consertar os próprios erros. Os heróis de verdade sabem “deixar suas ilhas” e encarar o mundo real com valentia na “linha de frente” por pessoas que nem mesmo conhecem, proteger as pessoas mesmo que não queriam isso, utilizando-se de verdade e se transformando em um “escudo” se necessário.


Toda essa mensagem está sedimentada num bom roteiro ao melhor formato “Jornada do Herói”, porém mais do que válido nesse caso, afinal de contas estamos falando de uma personagem que bebe na fonte dos mitos gregos. A história se passa cerca de cem anos antes dos eventos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, contando a origem de Diana, a filha da Rainha Hipólita e princesa da Ilha de Temíscira, habitada pelo lendário povo das Amazonas. Desde cedo, ela se mostra ávida para o combate e é treinada por sua tia Antíope ao longo dos anos, para cumprir um destino nebuloso. Mas sua vida muda com a chegada de Steve Trevor, um jovem espião britânico que acaba sofrendo um acidente próximo à Ilha Paraíso. Consigo, ele traz as notícias da Primeira Guerra Mundial, que vem assolando o mundo externo à ilha. Assim, mesmo contra a vontade de sua mãe, Diana se junta ao soldado e deixa sua casa, decidida a impedir aquele que ela crê estar manipulando tal guerra: Ares, Deus da Guerra.

Talvez a única falha no roteiro seja a inevitabilidade de previsibilidade do final da história por se utilizar desse tipo de jornada e, por se passar no passado, você já saber que a Grande Guerra será vencida e que o mundo não acabará. No entanto há mais um problema que não é bem uma falha, porém um recurso mal usado, que é a mitologia. Nos primeiros minutos é tecido que a relação entre Zeus e Ares é análoga a de Deus e Lucífer, algo ruim por querer dar um olhar “cristão” a outra cultura e, pior, deixar os deuses maniqueístas, o que os faz ter personalidades muito rasas, algo que irei discutir mais a frente.

Em suma, é um filme que começa de maneira espetacular, dinâmico, têm diálogos muito bons com cenas reflexivas, momentos de humor bem feito e ponderado, algo que dá mais vida e positividade a morbidez dos recentes filmes da DC, sendo que esta sempre foi o exemplo de heróis “éticos e esperançosos” e, no fim, algo previsível, de uma epifania hollywoodiana clichê, mas que pelo menos não chega a estragar todo o clima dos dois primeiros atos do filme.

Sobre os atores e personagens, todos os louros à Gal Gadot por entregar uma Diana formidável e tão humana, mesmo sendo uma semideusa. Ela é o ideal de “personagem feminina forte” pois não é masculinizada, é “empoderada”, sendo uma mulher dotada de beleza, mas também força, inocente, mas rebelde, capaz de amar, sentir dor, amizade e culpa, liderar e seguir seus ideais não deixando que amarras, sejam de uma sociedade de amazonas ou de soldados, a segurem diante do que ela acha que é o certo a se fazer.

Chris Pine como Steve Trevor também não deixa a desejar, sendo uma dupla forte com Gadot com sua atuação já reconhecida e por um personagem que é, em certos aspectos, o contraponto de Diana, pois ele apresenta a sua visão de mundo e ela a dela, ele é realista e ela é idealista, ambos aprendem um com o outro e se inspiram, com Trevor aprendendo sobre sacrifício e Diana sobre os tons de cinza do coração humano. As Amazonas, no geral, são sensacionais, seja a Rainha Hipólita, super-protetora, mas justa, ou Antíope, uma guerreira fiel que é a fonte do idealismo de Diana.

No entanto, não há acertos em todos os personagens. O vilão, Ares, por ser uma personificação do mal, é raso, tanto em suas motivações quanto em sua forma, uma vez que o uso do CGI em sua forma física e nos seus poderes presentes no final do terceiro ato é muito ruim e mal trabalhado junto a câmera. Os “comparsas” do vilão também são bem previsíveis e caricatos, mesmo na tentativa de usá-los num subplot da trama. O equivalente vale aos companheiros de Trevor, que são arquétipos de soldados já desgastados, esquecíveis e completamente desnecessários. Basicamente estão lá para preencher a cena e suprir o humor quando Diana não o faz.

Quanto à direção, podemos dizer que há boas ideias e falhas que se destacam muito. Patty Jenkins nos dá cenas de ação muito bem dirigidas, você entende perfeitamente o que está se passando em cada momento do combate, te dando uma boa noção espacial, mas em muitas cenas mais “paradas”, como em diálogos, as angulações e enquadramentos de câmera usam demasiadamente closes e fecham muito o personagem a ponto de você não conseguir ver o entorno, prejudicando grande parte da apreciação do cenário no segundo e terceiro atos em cenas mais fechadas.

Uma técnica usada com primazia foi o slow motion, que embora recorrente em cena, não é cansativo e sim algo estético e mais poético. Veja bem, a maioria dessas cenas acontece com as “amazonas” ou seja, a câmera lenta dá uma sensação de que elas são graciosas, fortes e mais rápidas que nós, pois são sobre humanas. Além disso, quanto tal técnica se associa a elas, a luta se transforma num verdadeiro balé com uma coreografia de tirar o fôlego, algo bem ao estilo de filmes como “Matrix”, ”Herói” e “Tigre e o Dragão”. Há frames, inclusive, que lembram quadros renascentistas de cenas mitológicas greco-romanas.

Por outro lado parece que por falta tempo ou experiência no ramo ou até de dinheiro, a diretora falha, e muito, em grande parte das cenas que se utilizam de CGI. Se os movimentos “divinos” de Diana são orgânicos, no ato final Ares mais parece um ser tirado de um vídeo game, é difícil entender seu corpo e seus constructos, e seus poderes são confusos e mal feitos. Até mesmo Diana que ia bem, ao chegar nessa parte, parece perder a leveza na luta. Somado a um take muito escuro, pra variar, a luta no final é tão mal executada, clichê e descabida, que destoa de todas as cenas de ações excelentes do filme. Parece que nessa cena a diretora quis fazer algo grandioso, mas nem tanto, e ficou com um pé no céu e outro pé no chão, não engrandecendo o filme e só destoando.

Os ademais fatores, entretanto, são muito elogiáveis. A fotografia de Matthew Jensen, que cria um belo contraste entre o azul e o laranja, cores muito presentes na divulgação do longa. Essa transição acaba servindo como uma bela alegoria para a passagem do mítico à guerra. A trilha sonora Rupert Gregson-Williams sabe criar grandeza quando necessária, jogar adrenalina em nossas veias nas cenas de ação e até mesmo passar o silêncio desesperador da guerra. Isso sem contar os cenários, com destaque à Temíscira, que chega ser palpável tal qual Valfenda em “O Senhor dos Anéis”.

No frigir dos ovos, podemos dizer com toda certeza que Mulher-Maravilha cumpre bem o seu papel de flashback/filme-de-origem, nos deixando ainda mais apaixonados pela Diana de Gal Gadot. Eu aposto que o cenário de representatividade das mulheres, tanto nos quadrinhos, quanto no cinema vai acabar sendo influenciado, e isso é muito bom, pois a diversidade é o segredo da arte. Se tem um vilão raso ou se a história não é 100% ligada aos acontecimentos que virão de Liga da Justiça e dos demais filmes do DCEU (aliás, não tem cenas pós-créditos), isso pouco importa, pois o filme sustenta a si e até um franquia sozinho.

Esse filme vale sim apenas ser visto nos cinemas principalmente se você é como nós, fã de heróis e da DC, e quer ver um herói que faz “o bem pelo bem”, um herói raiz, que ama a humanidade, que traz justiça, verdade e esperança. E não digo isso para fazer parecer que a Mulher-Maravilha é um "Superman de saia".
Pois esse Homem de Aço não é um décimo do que a Princesa de Temíscira é no DCEU.